quarta-feira, 16 de novembro de 2011

talento

Edward Tomanek, aos sete anos, o mais jovem compositor da Inglaterra

"Eu não sou uma criança prodígio" foi um pensamento que me ocorreu quando tinha uns 8 ou 9 anos. Foi o primeiro momento da minha vida em que encarei de frente minhas limitações. Eu não sabia todas as capitais dos estados brasileiros, imagine dos países do mundo!, não era capaz de realizar cálculos matemáticos complicadíssimos em segundos, não sabia todos os elementos da tabela periódica ou sequer o que era uma, não aprendi idiomas estrangeiros magicamente, nada. Nessa época eu ainda deveria ter sonhos megalomaníacos como ser um médico para curar todas as doenças do mundo, um bombeiro que salvaria todos de um incêndio, o melhor jogador de futebol do universo, um super-herói. Mas não, ao invés disso, me preocupava por não ser uma das crianças a mostrar suas incríveis habilidades intelectuais em programas de qualidade questionável nas tardes de domingo enquanto os pais estariam ao fundo explicando a origem humilde e como sempre souberam que era diferente dos amiguinhos. Eu podia ser diferente, mas não num bom sentido.

Aí veio a adolescência e decidi testar atividades físicas! Fiasco no futsal, mal aprendi a andar de bicicleta sem ter medo de fazer uma curva mais fechada (admito que isso não foi plenamente superado), medíocre num time de basquete igualmente medíocre e vergonha no skate. É, eu tentei até andar de skate. Não lembro se fiz outra coisa, mas, se fiz, certamente não me sobressaí. Tentei também um curso de desenho. Não ia tão mal, mas minha falta de disciplina e preguiça pesavam mais. Ah, claro, já ia me esquecendo que também me arrisquei no campo musical. Tive uma banda que nunca chegou a ter um nome. Era o vocalista. Quem me conhece e não sabia disso ou sabia e esqueceu, em primeiro lugar, pare de rir. Em segundo lugar, sabe que sou incapaz de lembrar completamente da letra de uma música sem algum esforço descomunal e, em terceiro, tem a exata noção de que não tenho uma voz indicada para a função. Ainda tentei aprender a tocar guitarra para ver se me saía bem em algo no grupo. Aprendi alguns acordes, I bet you look good on the dancefloor e Clocks. Só. Depois disso, pensei em arriscar algum instrumento clássico, mas, convenhamos, ninguém se torna um virtuoso pianista ou violinista depois dos 10 anos. Culpo meus pais. Deviam ter pensado nesse tipo de coisa enquanto eu ainda era novo.

Agora tenho 22 anos. Quais são as chances de ainda ter algum talento escondido dentro de mim?

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Recomendo ler ouvindo Loser, do Beck.

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