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| Uma só não é o suficiente |
Tenho problemas com a atual estação do ano. Sérios. Eu não simplesmente não gosto dela, eu me dedico a odiá-la. Saio de banhos frios amaldiçoando cada gota de suor que surge antes de sequer me vestir, praguejo eventuais bronzeados obtidos em breves caminhadas, urro de raiva ao perceber que os termômetros passam de 40º C, e por aí vai. Ou pelo menos odiava. Como isso requeria certo investimento de energia, normalmente já drenada devido ao calor descomunal que faz no balneário de São Sebastião, acabava me esgotando demais. Sem contar o constante mau humor, destruidor de amizades e causador do meu ostracismo durante os três meses de duração da estação, sendo otimista porque na realidade ela deve durar uns bons cinco ou seis meses.
Por isso, em 2012 resolvi tentar mudar essa relação. Em 2011, na verdade, mas o começo do verão fez com que em muitos momentos eu o confundisse com o agradável outono ou a não-tão-agradável-mas-ainda-suportável-que-entre-os-trópicos-não-existe primavera. Decidi procurar características que não apenas não despertassem em mim um frenesi incontrolável ou uma disposição para correr para regiões com temperaturas amenas, mas até me fizessem olhar com bons olhos a estação.
Por acaso pensou em praia? Meu(Minha) dileto(a) leitor(a), tenho tanta vontade de ir à praia quanto de arrancar um molar meu usando a unha de um martelo.
- Noites mais longas: "Oh, deus! O Pedro enlouqueceu, no verão as noites são mais curtas" e eu sei bem disso, precipitado(a) leitor(a), mas não é de questões objetivas que estou tratando aqui. O ponto é que, durante esta execrada estação, assim como as baratas, as pessoas se sentem mais dispostas a sair de casa. Claro que existe um importante ponto negativo nisso, afinal, tudo fica cheio, o que comumente me faz, com a licença dos irmãos, deixar o verão para mais tarde. Porém, ao mesmo tempo tudo é uma festa. Voltar para casa é a pior decisão a se tomar caso você não tenho um aparelho de ar-condicionado de 10 mil BTUs. E, assim, a brincadeira de estender a noite pode durar literalmente a noite inteira com relativa facilidade e essa liberdade muito me agrada;
- Cerveja em uma tarde quente: você sai do trabalho às 18h com a exata noção de que sua vida é uma merda porque ainda vai aguentar algumas horas no trânsito com o sol ardendo e ignorando seus apelos, parte devido à estação, parte devido ao por muitos amado horário de verão. Enquanto seca sua testa com as costas da mão direita e o cenho franzido funciona como depósito de todas as suas frustrações, nota um bar. Um singelo bar, sem oferecer nada além de umas mesas de metal amarelas levemente enferrujadas e dois garçons cumprindo a função de equilibristas de bandejas. Pronto, achou seu lugar e deveria, por princípios de educação, me convidar para o(a) acompanhar. Porque não é simplesmente a cerveja em questão nesse momento, não, não. É toda a situação, toda a mise-en-scène do ato. Você recebe aquele pequeno copo de vidro, que prontamente sacode para retirar o insistente resquício de água da suposta lavagem que recebeu, espera o garçom abrir a garrafa, colocá-la em uma camisinha, derramar o líquido para finalmente, depois disso tudo, poder beber, preferencialmente gelado de maneira sobrenatural, quando a cerveja deveria há muito ter mudado de estado físico. E fica lá sentado, de pernas cruzadas, olhando as pessoas dispostas a encarar a hora do rush passando, enquanto nota que mais e mais água condensa em seu copo. Do meu ônibus, eu o(a) invejaria. Isso só não é o paraíso porque existe uma coisa acima;
- Vestidos de verão: ah, os vestidinhos... Quem falou comigo nas últimas semanas e que tenho um mínimo de intimidade foi obrigado a me ouvir declarando minha paixão por esse tipo de vestimenta. Não é por acaso. Apesar de apenas há pouco tempo ter decidido tentar fazer as pazes com a estação preferida do brasileiro, já tenho uma longa relação positiva com esse tipo de roupa, independente das intempéries dos primeiros meses do ano. Se existe alguma vantagem em andar debaixo de um sol de 37º C na sombra, são as mulheres e seus vestidos. Que se danem os biquínis e seu excesso de exposição. Qual é a graça nisso? Muito mais interessantes são os vestidos esvoaçantes - nunca em cores sóbrias, mas coloridos e/ou estampados com florzinhas, borboletinhas e todas as inhas possíveis - e o desfile de pernas que oferecem. Assim como Drummond, com o coração em desespero pergunto para que tanta perna, meu Deus, enquanto meus olhos se mantêm inabalados. Dia desses, comentando sobre o assunto enquanto caminhava pela Tijuca, me empolguei e acabei falando um pouco alto. Fui ouvido pelo objeto dos meus comentários, que portava um não muito curto vestido azul claro que demarcava bem sua silhueta. Sem jeito que sou, só me restou mudar de assunto e andar mais rápido para evitar maiores constrangimentos, mas não sem antes pensar na poesia que aquele conjunto declama. Certas composições de cinturas, destacadas pelo ajuste da roupa, aliadas ao movimento gracioso de quadris, são visões mais belas que o mais agradável pôr do sol. E sei muito bem que pensa que estou idealizando essa visão, que não existem cinturas perfeitas ou vestidos esvoaçantes ou qualquer coisa que citei anteriormente, e ainda pode criticar o tom deste parágrafo, no que eu respondo "... Que chato, né?" enquanto ando pela rua atento.
Agora vamos ver se essas três características serão o suficiente para aguentar os próximos meses...
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Depois de mais de um mês ausente deste espaço, tendo passado defesa de trabalho de conclusão de curso - agora sou um Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda - e festas de fim de ano, com Natal em família e Réveillon consumindo uma quantidade de álcool que não imaginava ser capaz de ingerir sem danos à saúde, voltei com o blog. Em nenhum momento planejei deixá-lo de lado, apenas procrastinei o retorno o máximo que pude e, claro, o ano novo é uma excelente desculpa. Portanto, feliz 2012!
